3º Projeção Sonora de Música Eletroacústica (28/05/09)

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3º Projeção Sonora de Música Eletroacústica (28/05/09)

Guilherme Bertissolo

Colegas,

Na próxima quinta-feira (28/05/09) o Grupo Genos de Pesquisa está promovendo a 3º Projeção Sonora de Música Eletroacústica.
Teremos obras de Valério Fiel da Costa, Alexandre Espinheira, Guilherme Bertissolo, Jaime Reis, Rodolfo Valente, Mário del Nunzio e György Ligeti.
A chamada de obras segue aberta. Confira a página das Projeções Sonoras de Música Eletroacústica no wiki do Genos.
Apareçam, participem e ajudem a divulgar.

Abraços,
Guilherme

3ª Projeção sonora de Música Eletroacústica Genos (28/05/09)

  • Data: 28/05 (quinta-feira)
  • Horário: 18 horas
  • Local: ?GenosLab (laboratório do grupo de pesquisa Genos)

Compositores e obras

Valério Fiel da Costa foi aluno de José Augusto Mannis, Almeida Prado e Denise Garcia. Bacharel em Composição e mestre em Processos criativos pela UNICAMP. Atualmente realiza pesquisa de doutorado estudando a questão da indeterminação na criação musical; criou o grupo de performance eletroacústica Artesanato Furioso em Belém (2000); em 2003 idealizou e coordenou, em conjunto com outros compositores, o Encontro Nacional de Compositores Universitários; em 2005 foi selecionado para a Bienal de Música Brasileira Contemporânea do Rio de Janeiro, com a peça para piano preparado tocado a 12 mãos,"Funerais I"; criou em 2006 o grupo de performance experimental áudio-visual e de instalação sonora M.U.R.O.; em 2007 passou a integrar, como diretor musical, o grupo Teatro da Passagem (SP); desde 2008 participa da iniciativa Ibrasotope de incremento e difusão da cena de música experimental de São Paulo e atua frente ao grupo de improvisação livre Ensemble Limite.

O Deserto dos Cães: peça concebida em 2000 como paisagem sonora para um mundo destruído, reduzido a poeira, constituindo-se de um grande deserto habitado por fantasmas e espreitado por criaturas vorazes. Está baseado nos sons de uma longa improvisação ao cello realizada pelo autor, sussurros, frases desconexas, samples e espectros inarmônicos produzidos em C-Sound. Peça escolhida pelo CDMC/Brasil-UNICAMP como uma das representantes brasileiras na Tribuna Internacional de Música Eletroacústica da UNESCO em 2002.


Alexandre Espinheira graduou-se em composição pela Universidade Federal da Bahia em 2000. Estudou com Wellington Gomes, Ricardo Bordini, Joseph Sekon e Agnaldo Ribeiro. Ganhou uma menção Honrosa no II Concurso de Composição Camargo Guarnieri em 1998 com a peça Mitch van Bonh e foi vencedor da categoria Câmara do I Concurso de Composição Ernst Widmer em 2007 com Ballerine. Atualmente realiza pesquisa relacionada à composição e Teoria Pós-tonal.

Noise Potato: Disse ele: - Dá uma olhada nesse barulho que tá aqui... não tinha isso antes... - Pera que vou gravar isso!!! - disse eu.


Guilherme Bertissolo é doutorando em Música – Composição pela UFBa, sob orientação de Paulo Costa Lima. Teve obras estreadas em Montenegro, Porto Alegre, Curitiba, Aracajú, São Paulo e Salvador. Sua obra Um Truco numa Carona recebeu o Primeiro Prêmio no II Concurso “Ernst Widmer” de Composição, na categoria Duo de Violões. Atualmente é professor substituto no Departamento de Composição, Literatura e Estruturação Musical da UFBa.

A Caixinha de Música e o Efeito Borboleta trata do tempo e sua dimensão irreversível. Uma caixinha de música encerra em si, a um só mesmo tempo, o contínuo e o descontínuo; o presente, o passado e o futuro; a fase e a defasagem. O que acontece se dobramos o tempo sobre si mesmo?


Jaime Reis, licenciado em Composição na Universidade de Aveiro, é aluno do doutoramento em Ciências Musicais na FSCH-UNL. Freqüentou seminários com Emmanuel Nunes e Stockhausen. Investiga no INET-md. É diretor artístico do festival Dias de Música Electroacústica, professor e diretor pedagógico do Conservatório de Música de Seia. Foi premiado em concursos de composição, seleccionado para edições do Workshop Gulbenkian para Jovens Compositores Portugueses, ICMC 2005 (Barcelona). Recebeu da Universidade de Aveiro duas bolsas por mérito e a bolsa da Fundação Engenheiro António de Almeida. A sua música tem sido apresentada em Portugal (Música Viva; Aveiro), Polónia, Túrquia (Ankara), França (Synthèse, Bourges; Uni. de Paris VIII), Brasil (Unicamp), Áustria (Hörfest, Graz), onde esteve como compositor convidado para a estreia da sua peça Lysozyme Synthesis, Bélgica (Gent), onde estreou uma peça encomendada pela Logos Foundation.

Phonopolis surgiu da necessidade pessoal de tentar explorar fenômenos fonéticos específicos, aliada à necessidade interpretativa do quase ilimitado campo da semiologia. Assumindo a poesia sonora enquanto uma entidade abstrata, passível de ser composta sob uma estrutura simples e essencialmente formada por aquilo que designo de "complementaridades fonéticas", desenvolvi várias possibilidades para isolar e perceber as implicações de aspectos específicos das suas características naturais e sócio-culturais. A estrutura consiste em 3 camadas: a primeira, baseada numa série numérica simples (relacionada com a transposições e harmonia); a segunda, baseada em fenômenos fonéticos específicos e a terceira, onde aplico uma interpretação semiológica dos sons criados, induzindo específicas reações/induções (entidades humanas) através do uso de sons com identidades abstratas específicas naturais ou sociais. O resultado é um poema sonoro formado por sons de natureza onomatopeica que, sem ter significação semântica particular, possuem um sentido abstrato, que surge por especificidade do tratamento dos materiais e que se relaciona com a forma como falamos, com maior ou menor ênfase e força, tal como pode acontecer num poema, pretendendo criar algo o mais comunicante quanto possível. Esta peça foi estreada no festival "Synthèse", em Bourges (França) e interpretada várias vezes em vários países como Portugal, Bélgica, Brasil, Espanha e Turquia.


Rodolfo Valente nasceu em 1979, in São Paulo, Brasil. Concluiu o curso de Composição e Regência da UNESP em 2008, com ênfase em compositivo instrumental e eletroacústica. Deu início em 2009 ao mestrado sob a orientação de Flo Menezes na mesma universidade. Participou do curso de verão de Darmstadt em 2008, tendo aulas com Brian Ferneyhough e Wolfgang Rihm, entre outros. Recentemente foi selecionado como bolsista para o 40º Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão.

Prólogo Provisório tem como matéria-prima sons analógicos geralmente indesejados num estúdio: ruído de fundo de equipamentos, chiados, mal contato, microfonia e assim por diante. Em 2008, ele foi estreado no concerto [ibr05], no Ibrasotope, em São Paulo (www.myspace.com/ibrasotope). Essa peça faz parte do cd virtual [cs002] Ibrasotope Vol. 2: Música Eletroacústica 2008.
Desencanto: um menino vê transformarem-se diante de seus olhos as coisas das quais se aproxima: a lua, o sol, as estrelas e, quando ele tenta retornar, a própria terra. Essa fábula às avessas é um fragmento do Woyzeck, de Georg Büchner que, gravado nas vozes de Graziela Kunsch e Victor Bittow, serve de material básico para esta peça. O Wozzeck de Alban Berg, comprimido e transformado, aqui também comparece na íntegra. Essa peça foi estreada na VII CIMESP 2007, no SESC Ipiranga em São Paulo e faz parte do cd Música Maximalista Vol. 13.


Mário del Nunzio nasceu em 1983. Graduou-se em composição na UNICAMP. Dedica-se a vertentes experimentais da produção musical. Compõe música instrumental e eletroacústica, e toca com grupos de improvisação / música não-escrita. Teve peças tocadas e tocou em diversas cidades no Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Belo Horizonte, Campinas, etc) e no exterior (Birmingham, Belgrado, Bruxelas, Copenhague, Viña Del Mar, etc). Ministrou cursos e oficinas de Improvisação na Música Contemporânea (Porto Alegre, 2008; SESC Consolação, 2009), e tem artigos publicados nas áreas de musicologia e música & tecnologia. Também se dedica à difusão da música experimental: foi um dos idealizadores e organizadores do I ENCUn (Encontro Nacional de Compositores Universitários), em 2003, que teve, desde então, seis edições, em diferentes cidades e regiões do Brasil; e é ao lado de Henrique Iwao diretor do Ibrasotope e curador da série mensal de concertos realizada em sua sede, bem como do Festival Ibrasotope, que teve sua primeira edição em dezembro de 2008, que contou com apresentações de cerca de 15 grupos / artistas dedicados à música experimental. Em 2009, iniciou mestrado na USP, com pesquisa abordando a fisicalidade em determinadas vertentes da música contemporânea. Para 2009 também está prevista a composição de uma nova peça, para quarteto de guitarras elétricas, encomendada pelo grupo belga Zwerm, com estréia prevista na cidade de Bruxelas, no Concertgebouw Brugge, no segundo semestre.

Improviso em Branco e Preto (Carta às Videntes) foi composta em 2004, estreada em concerto em Campinas no mesmo ano e depois tocada em diversas cidades do Brasil e em eventos no exterior (13th International Review of Composers, em Belgrado, na atual Sérvia; e em concerto com o BEAST - Birmingham Electroacoustic Sound Theatre - em Birmingham, na Inglaterra). A peça, que utiliza basicamente fragmentos retirados de gravações pré-existentes, teve sua idéia inicial na percepção da diferença de conteúdo entre o material sonoro de instrumentos de percussão de duas categorias: a primeira, de obras de compositores como I. Xenakis, K. Stockhausen e B. Maderna, especialmente em gravações realizadas na década de 1990, composições estas que contêm uma alta variabilidade gestual e instrumental, mas com uma alta padronização no ato de gravação; a segunda, de solos de bateristas em discos de rock, que contêm uma grande similaridade gestual - especialmente com padrões repetidos realizados com grande rapidez e presteza - em instrumentos basicamente iguais (set de bateria de rock), mas que, devido a uma intensa preocupação com o procedimento de gravação e posterior tratamento sonoro, ganham uma identidade timbrística peculiar. O título reitera o aspecto improvisatório da peça e evoca textos homônimos de R. Char e A. Rimbaud - textos que abordam a visceralidade, o deslocamento temporal, dissolução de divisas, uma espécie de destruição (ainda que tudo isso ocorra em meio a uma festa), diretamente relacionado ao caráter altamente energético e explosivo da composição.


György Ligeti (1923-2006) nasceu na cidade de Diciosânmartin, na região da Transilvânia, Romênia. Possui uma ampla obra reconhecida como uma das mais influentes no séc. XX. Sua produção eletrônica foi realizada como compositor convidado no Estúdio de Colônica no final da déc. de 1950 e, embora pouco numerosa, é de extrema importância para o contexto da música eletroacústica.

Glissandi foi a primeira composição eletrônica de Ligeti. Consiste em uma sequência de surgimentos e desaparecimentos de glissandos de ondas senoidais, reverberações, filtros, variações de velocidade e reverse na leitura da fita magnética (suporte da obra), controlados e organizados a partir de um rigor matemático que aproxima a obra do pensamento corrente na produção relacionada à Colônia.



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